O Instituto Cultural Cravo Albin, com o apoio da Insight Engenharia de Comunicação e Marketing, edita trimestralmente a revista cultural Carioquice, com tiragem de 5000 (cinco mil) exemplares e distribuição gratuita, através de mala direta, para instituições culturais e de ensino, especialistas, pesquisadores, jornalistas e formadores de opinião.
A Carioquice vem alcançando grande sucesso e o Instituto planeja, para breve, o lançamento da revista em livrarias e bancas de jornais.
Conheça toda a coleção que também está disponível em versão digital.

Esquina do Ricardo
Viva lobato e abaixo a censura!
Quem lutou toda uma década contra a burrice da censura em Brasília – o que me rendeu o livro “Driblando a Censura (Ed. Griphus, 2001) – e quem abriu os olhos para o mundo aprendendo a amar o Brasil (e os outros) com os livros de Monteiro Lobato não pôde ver, senão com horror, o recente episódio que envolveu a censura ao livro “Viagens de Pedrinho”.Só depois da intervenção do ministro da Educação, a ação precipitada e inaceitável de proibir-se o grande escritor parece esmaecer-se. Mas fica o gosto amargo na boca provocado pela truculência, pela falta de informação, pelo brilhareco fácil para as luzes da mídia. Um gosto que agrega o do fel, cumulado pela falta de percepção histórica. Ou por pura intolerância, ligada ao vazio das sutilezas que o hoje “politi-camente correto” pode (e deve – mas desde que avaliado em seu tempo) provocar.O lamentável episódio de atribuir-se a Lobato a pecha de racista nada fica a dever ao de mandar prender Sófocles (morto há 2.400 anos na Grécia antiga) no Brasil de 1965. Chego agora a matutar comigo que – no andar da carruagem desses dis-parates – o “Samba do Crioulo Doido”, clássico de humor do escritor carioca Sérgio Porto, o adorável Stanislaw Ponte Preta, será a bola da vez. Ou seja, o Festival de Besteiras que Assola o País (o Febeapá) está em ação. Razão teve o presidente da ABL, Marcos Vinicios Vilaça, ao conceder curta, mas cortante, entrevista ao Jornal Nacional: “Nem cabe comentar, porque é um ato de censura e a Casa de Machado sempre foi contra o ato de proibir qualquer escritor.”Aliás, falando de escritores: Sérgio Porto foi um dos mais estimulantes e operosos intelectuais do Brasil. Até porque fez de tudo, na última década de vida (1958 – 1968), tanto na imprensa quanto no rádio, na televisão e… na literatura.Sérgio, escritor da obra-prima “A Casa Demolida” e cronista implacável do Febeapá, não morrerá jamais na memória do afeto carioca. E não apenas por todos esses motivos. Mas também porque Sérgio foi um musicólogo de primeiríssima linha. Eu o conheci muito bem como seu companheiro do Conselho Superior de Música do então em fase de implantação Museu da Imagem e do Som.Sérgio – devoto dos sambistas primiciais como Heitor dos Prazeres, Cartola, Pixinguinha e Nelson Cavaquinho – era cultor das mais refinadas vertentes do jazz norte-americano, sobretudo o tradicional, tal como seu tio, Lúcio Rangel. Uma raríssima exposição sobre nosso adorável Stanislaw foi montada no Instituto Cravo Albin graças à generosidade de Arthur Rego Lins e Augusto César Rego Lins, filhos de Elza, derradeira (e verdadeira) enamorada de Sérgio Porto. E celebrou o espírito do Rio no que tem de mais robusto, refinado e corajoso.
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