Jorge Amado e os Caymmi

Jorge Amado e os Caymmi

Publicado em 09/04/2012 no Jornal O Dia

Dentre os centenários de nascimento mais celebrados em 2012 o de Jorge Amado está em justa posição de destaque.
E não apenas por ele ter sido o escritor brasileiro maisfamoso de seu tempo, além de o mais lido em todo mundo.Há dias, o Pen Club convidou Eduardo Portella para proferir conferência, esgrimida pelo também intelectual baiano com raríssimo brilho, precisão e emoção.
Depois de manhã, nesta quarta próxima, a Academia Brasileira de Letras abre o ciclo de espetáculos sobre MBP –aqueles quase sempre adoráveis encontros ao meio dia e meia, horário alternativo, no Teatro Raimundo Magalhães Júnior – comum show surpreendente: “Os Caymmi visitam Jorge Amado.” Isso significa um espetáculo único, criado especialmente por Danilo Caymmi, filho e herdeiro direto do grande Dorival, acompanhado por Stellinha, filha de Nana, escritora, neta ebiógrafa do Mestre, que, também doutora em literatura pela PUC-Rio, alça-se neste momento como cantora.
Ora, já se vê que a ABL, cada vez com ação cultural mais irradiadora e despida de falsos pruridos culturais, abraça o canto popular e seus vultos com apetência e dignidade. Celebrando-se Jorge Amado, os Caymmi cantarão as sete parcerias feitas pelos dois gigantes da Bahia, além de ilustrar o evento com muitas revelações sobre a amizade fraterna entre ambos. A partir de “Édoce morrer no mar”, célebre canção praieira feita para “Marmorto” ao lado de mais duas outras músicas (essas quase desconhecidas), Danilo e Stellinha desfiarão pepitas produzidasnão apenas por Dorival em pessoa para atender a Jorge, como Gabriela e Tereza Batista, mas também outras canções feitas pela família Caymmi (Dori e Danilo) para diversos filmes, minisséries e novelas da televisão.
Em resumo, a Academia Brasileira de Letras abre as celebrações do centenário do escritor universal com aquilo a que o espírito inquieto, libertário e bem-humorado de Jorge Amado era mais chegado e afeito: a música popular, os folguedos do povo, a malícia e sensualidade de seus personagens a partir das referências musicais deles todos. E nada melhor, nem ninguém mais conveniente para celebrar Amado neste contexto do que seucompadre Dorival Caymmi.

Ricardo Cravo Albin
Presidente do InstitutoCultural Cravo Albin