Ecos do Carnaval

Ecos do Carnaval

Publicado em 27/02/2012 no Jornal O Dia

Como faço todos os anos por mais de quarenta seguidos, fui ao desfile das escolas de samba. E, é claro, nem vou repetir aqui como esse espetáculo de convergência de arte me comove a cada ano, até porque venho expressando minha opinião positiva, a mesmíssima sempre, não apenas em meus livros , mas também espalhando meu entusiasmo pelas várias cadeias estrangeiras de televisão que me procuram.

Pois bem, independentemente de qualquer consideração crítica sobre o resultado do julgamento pelo júri oficial – até porque isso já é café requentado nesta segunda-feira em que finalmente começa o ano de 2012 – cabe-me fazer uma observação, na verdade uma possibilidade de sugestão à LIESA e a RIOTUR: a ampliação do desfile do grupo A para terça-feira gorda. A ideia pode parecer estranha, e audaciosa. E é. Mas há explicações pontuais para essa possibilidade. Não de hoje, não deste desfile, observo que um espetáculo interminável como este deve seguir normas clássicas de duração. Entendo, como o mundo inteiro que assiste a show de canto e dança, que o número de horas não deve exceder o razoável, que poderia mediar entre quatro e cinco. Aliás, tenho visto por anos seguidos as arquibancadas e os camarotes se esvaziando a partir da penúltima escola a desfilar.

Mas caminhemos pelo terreno fértil e imaginativo – das ideias e das conjecturas: ora, se o desfile começasse às nove da noite e se encerrasse às duas da manhã seria muito menos cansativo para todos (platéias, desfilantes e serviços). Mas o que ocorreria? Quatro (no máximo cinco) escolas desfilariam a cada noite, com uma hora e trinta de duração.

Para isso, certamente que todos ganhariam (em especial as escolas e o Rio) muito mais, considerando o global da economia do carnaval. E o mais importante: há público potencial para isso, sem a menor dúvida.

A terça-feira seria o ideal para ser o dia em que o desfile se estenderia. Até porque, na verdade, é uma noite quase vazia em acontecimentos marcantes. Desse modo, doze escolas se dividiriam em blocos de quatro a cada noite. Sonho ou delírio? Não mesmo, desde que as autoridades, sobretudo o eixo Liga + Prefeitura, comecem a estudar o assunto com a mesma desenvoltura e rapidez com que a Passarela Darcy Ribeiro acaba de ser concluída, finalmente.

Ricardo Cravo Albin
Presidente do Instituto Cultural Cravo Albin