Cultura: Prêmio Barão de Mauá

Cultura: Prêmio Barão de Mauá

Publicado em 24/09/2012 no Jornal O Dia

Quem investe em cultura? Quem aplica mais recursos para ajudar a moldar a alma mais fraterna do país, seu espelho mais verdadeiro, e que sempre foi o processo cultural de um povo? Quem arrisca naquilo que os sovinas e os embrutecidos de espírito repudiam e desprezam? Pois a partir desta segunda-feira estão abertas as inscrições para o mais original dos prêmios culturais: a vetusta (bicentenária) Associação Comercial do Rio de Janeiro lança publicamente o Prêmio Barão de Mauá para a cultura. Não, não é uma premiação destinada aos artistas, aos que provocam o fazimento cultural, como os da música, teatro, cinema ou até mesmo os museus.

Trata-se de proclamar – daí eu considerá-lo singularíssimo e exclusivo – quem compartilha a cultura patrocinando-a, promovendo-a através de investimentos e aplicações que podem (ou não) vir acompanhadas de leis de incentivo. Ou seja, são prêmios para empresários que têm a visão e o descortínio de abraçar a solaridade que emana do fluir das boas idéias, dos projetos que defendem os mais diversificados setores da arte, que podem ir da memória musical ou do áudio visual ao restauro do patrimônio arquitetônico do país. Essa abrangência generosa, que vai também de casas públicas ou privadas de cultura aos museus, já tem estrelas sedimentadas no orgulho nacional.

Empresas como a Petrobrás, a Vale, a Eletrobrás, a Light, isso para não citar as telefonias ou mesmo alguns bancos (esses, infelizmente, mais discretos) são tradicionais estimuladores do processo vital o qual me refiro.

Fez muitíssimo bem a Casa de Mauá, que também alavanca as idéias gerais da chamada classe empresarial (embora eu deteste o termo), em voltar-se para a solidariedade e adesão àqueles que mais e melhor investem uma mínima parte de seus ganhos (que seja) em cultura. Este Prêmio Barão de Mauá já não é mais uma boa idéia de convergência social. É, sobretudo, uma necessidade para contemplar quem procede de olhos abertos e fraternos em suas empresas, na esperança de termos um país mais justo e socialmente mais equilibrado. Agora ou num futuro mais próximo.

Ricardo Cravo Albin
Presidente do Instituto Cravo Albin