Cid e a Escola-Modelo

Cid e a Escola-Modelo

Publicado em 12/01/2015 no Jornal O Dia

Não de hoje venho bradindo minha indignação pela má-qualidade do ensino no país. Eu, que experimentei a epifania condensada do Colégio Pedro II – Internato nos anos 50, sempre acompanhei desolado a decadência do ensino médio – e também do primário e do universitário, igualmente em crise nessas últimas décadas.

Pois bem, um novo Ministro da Educação acaba de se empossar. O que ele pretende fazer, que recursos manejará, que idéias criativas poderão ser destiladas, ninguém ainda sabe.

Ao refletir e amargar o dissabor da realidade em que chafurdamos, não posso deixar de encarecer a Cid Gomes que conheça a Escola-Modelo do SESC, em Jacarepaguá, bairro a oeste do Rio.

Imagino que os chamados burocratas pragmáticos – que infestam o Estado- Gigante do Brasil – proclamarão de imediato que 1- é escola quase privada, a do SESC, uma instituição também modelar, 2- contempla apenas uma exceção, gravita no campo do sonho, do ideal, do não-atingível em um país pobre em educação, pouquíssimo contemplada em recursos por este governo – e também por todos os outros. Sim, tudo isso pode até ser verdade ante uma realidade assustadora, a de hoje no Brasil. Mas o sonho deve ser perseguido, o que se entende por não-possível, há de ao menos ser esboçado, até sutilmente.

O milagre que nutre a Escola-Modelo de Jacarepaguá se baseia na meritocracia dos alunos e na organização estratégica de seu funcionamento em rigoroso regime de internato (com professores bem pagos e residentes no campus). Os jovens do ensino médio são recrutados entre os melhores de todo o Brasil, tal como nos meus tempos de Pedro II, Internato. Ou seja, um Colégio para ajudar a formar a elite intelectual da nação, nos moldes feitos em países que levam a sério a educação e a si mesmos.

A Escola-Modelo do Rio – até gostaria de me estender mais sobre ela – é uma realidade possível de apontar caminhos para uma futura redenção (vamos ao menos sonhar, que nada custa) do quadro entristecedor deste presente tão insensato.

Rio, 09 de janeiro de 2015

Ricardo Cravo Albin

Presidente do Instituto Cravo Albin