O Ler, o Rio, a Biblioteca

O Ler, o Rio, a Biblioteca

Publicado em 29/05/2018 no Jornal O Dia

Toda gente sabe que os livros e o ato de ler constroem um país. Toda gente sabe que neste país se lê muito pouco. Toda gente sabe que – por isso mesmo – nosso povo não  usa da veemência e/ou da indignação para cobrar das autoridades mais bibliotecas, mais livros, mais leituras.

Não se amofinem os leitores deste espaço por eu abordar hoje um assunto talvez árido para os despossuídos de livros. Os desabituados à leitura. Os que nunca adentraram bibliotecas.

Asseguro-lhes aqui que as três palavrinhas do titulo desta crônica emolduram ideias e fermentam fazeres concretos. Que  se entrelançam para propor benefícios para o Rio e afagos à cidadania do carioca.

Certamente que todos sabemos o que seja uma Feira de Livro, bem como o que seja a Biblioteca Estadual do Parque, aquele edifico térreo na esquerda da Praça da Republica com a Presidente Vargas, que faceia o Ministério do Exercito.

Criado pelo gênio de Darcy Ribeiro, o prédio abrigou a mais moderna das bibliotecas do Rio. E estava fechado, pasmem, há tempo tão prolongado que até parecia maldição de conto de carochinha, aquele famosissimo do príncipe transformado em sapo.

O encanto finalmente se desfez há dias, quando um pequeno grupo de empresários culturais beijou o sapo.  O feitiço se desfez. O belo príncipe, posto em pé, febrilmente refez a Biblioteca.

Eu confesso que não esperava assistir a milagre de tal dimensão A Biblioteca jazia imersa na maldição do sapo, abandonada, fechada, sem serventia. De cortar o coração comprovar  os principais adereços do príncipe enfeitiçado , os livros, sem quaisquer leitores. Igualmente abandonados estavam os salões  principais do Palácio – Biblioteca e seus serviços essenciais como elevadores, jardins, banheiros.

A Fada que beijou o Sapo , fazendo-o acordar da maldição, reformou por sua conta e risco o palácio estadual dos livros, do saber, da leitura.

E nele instalou o Salão Carioca do Livro,  equipando-o com alternâncias criativas , que iam de stands de editoras e centros culturais à palestras, shows. Ao longo do fim de semana espichado, de quinta a domingo, o centro da cidade resplandeceu com milhares de pessoas alimentando dupla magia, a do livro, do ler, dos espetáculos literários. E a do sapo transformando de novo em príncipe. Ou seja, um dos lugares mais amados pelos cariocas, sua Biblioteca Estadual do Parque, renascida das cinzas, tal Fênix, liberta do feitiço

O que quero dizer com o relatado acima é muito simples. Mas contundente e necessaríssimo. Fica o apelo ao governo estadual que reabra , o mais cedo possível, o sonho do Metre Darcy Ribeiro. O sonho que virou sapo, que voltou a ser príncipe, há que persistir. Lanço daqui campanha publica para que o Rio retome a nossa Biblioteca.

E peço logo adesão deste jornal.  Afinal, sapos não gostam do… DIA. Já os príncipes reluzem com a claridade do sol. Que viva para sempre o Príncipe – Bibiloteca

Ricardo Cravo Albin

Presidente do Instituto Cultural Cravo Albin