Ecos da Mangueira

Ecos da Mangueira

Publicado em 05/03/2007 no Jornal O Dia

Dizem que o Brasil é o país do carnaval. A verdade é que, embora já em plena quaresma, ainda é cabível comentar-se aqui alguns ecos desse brilhante carnaval carioca de 2007. Não posso deixar de registrar dois eventos pontuais que me marcaram. E –  ambos ligados à Mangueira  –  ainda perduram na memória coletiva da cidade. O primeiro – o que preserva uma lembrança inesquecível, ao menos para mim – foi a presença dos cinco acadêmicos da ABL no último carro.

Saudando a língua portuguesa, era no mínimo comovedor, mas também corajoso e revelador das intenções renovadoras da sisuda Academia Brasileira de Letras  – cinco intelectuais de primeira linha acenando para a platéia monumental. Fiquei enternecido ao verificar a consagração que foi deferida a imortais do porte de Antônio Olinto, Antônio Carlos Secchin, Domício Proença Filho e Ivan Junqueira, liderados pelo próprio presidente da Casa de Machado de Assis, Marco Vinícius Vilaça.

Antepondo-se a esse momento de reverência e amálgama das culturas popular e erudita, definidoras do povo brasileiro no que tem de melhor, houve o incidente da mesma Mangueira com Beth Carvalho. Ora, não há como separar afetos  consolidados. Terá sido a contraface indesejada da beleza que a velha escola de Cartola sempre exala. Não há como deixar de proclamar  daqui aos meus amigos da diretoria da Mangueira: por favor, Beth merece, sim,  um pedido formal de desculpas. Daqui ofereço o Instituto Cravo Albin para celebrarmos a paz na velha escola.

Flores e acarinhamento sempre serão recomendados  à maior  intérprete do samba e que  sempre orgulhou o país. Afinal, como diria Cartola, as flores exalam o perfume que também roubam da “enamorada do samba”, como a ela se referiu em cantoria  o nosso igualmente eterno  Martinho da Vila.

Ricardo Cravo Albin
www.dicionariompb.com.br