Brasil, Brasis…

Brasil, Brasis…

Publicado em 02/04/2007 no Jornal O Dia

Esse título aí de cima bem poderia ser um tratado geral sobre a diversidade do Brasil  e suas injustiças crônicas. E é. Só que criada não por instituições de pesquisa aplicada. Essa série Brasil, brasis… foi criada pela Academia Brasileira de Letras,  centenário cenáculo das letras. Belas letras, tão somente? Aí está o mais singular de tudo. A nossa ABL está cada vez mais plural na percepção do que representa a cultura como fenômeno constituidor do Brasil vário.  Agora,  a visão que o público  e os intelectuais  ostentam da Casa de Machado de Assis é a de um organismo pulsante e dinâmico. Vão-se longe os tempos em que a Academia se alimentava apenas do chá das quintas. De uns anos para cá, a velha instituição se moderniza a passos ágeis. Dela não se pode dizer que abra apenas suas portas para escritores e literatos.  Desde a entrada de intelectuais, que, além do amor à pena, esgrimem seus talentos em campos do conhecimento humano  outros como a medicina, Ivo Pitanguy lá está, ou como o cinema, Nelson Pereira dos Santos lá  também está, que a ABL busca a proximidade do modelo da Academia Francesa. O que não confinou seus integrantes à exclusividade dos escritores profissionais.

A série Brasil, brasis…, que já foi dada ano passado, com o mais qualificado sucesso e que volta neste 2007, demonstra que o presidente Marco Venicios Vilaça (muito bem assessorado pelo Secretário Geral Cícero Sandroni) cumpre com rigor suas promessas e empunha as armas da paixão por suas idéias renovadoras. Não fosse pernambucano eivado de nobre cepa.

A ABL ajuda a pensar um novo Brasil com esses brasis.  Com tudo isso,  ela se moderniza, sim, mas sem perder a tradição. Até porque o bom convívio, o chá das cinco, os ritos e os rituais, além do amor aos livros jamais serão demais numa instituição que zela pela posteridade. E não pelo modismo passageiro.

Ricardo Cravo Albin
www.dicionariompb.com.br