Consolidação   no  SESC-RIO e o  Ensino-Modelo

Consolidação no SESC-RIO e o Ensino-Modelo

Publicado em 16/04/2018 no Jornal O Dia

Não de hoje venho bradindo minha indignação pela má-qualidade do ensino no país. Eu, que experimentei a epifania redentora  do Colégio Pedro II – Internato nos anos 50, sempre acompanhei desolado a decadência do ensino médio – e também do primário e do universitário, igualmente em crise nessas últimas décadas.

Pois bem, um novo Ministro da Educação acaba de se empossar,  substituindo   Mendonça  Filho.  O que ele pretende fazer, que recursos manejará, que idéias criativas poderão ser destiladas, ninguém ainda sabe.   Nem haverá de saber. Até porque lhe restam poucos meses de governo.  Mas à insegurança que gravita na área federal não corresponde, felizmente, a solidez que todos nos acostumamos a ver e ter no SESC de todo o Brasil. E     agora no Rio, com a posse de novo e competente gestor, o professor Luiz  Gastao.   Ou seja, a paz acaba finalmente de ser celebrada para unir o SESC-Rio ao SESC Nacional e à CNC, a vetusta Confederação Nacional do Comercio.  O que é ótimo.

Ao refletir e amargar o dissabor da realidade em que chafurda o  nosso  ensino,  não posso deixar de   exaltar   a  chegada   do   novo   diretor  do  SESC-RIO.  Que certamente unirá esforços no sentido de fortalecer ainda mais o      arrebatador exemplo de como se deve proceder para salvar o  ensino médio   do  país, e  que  é  Escola-Modelo do SESC, em Jacarepaguá, bairro a oeste do Rio.  Desde   que   lá   proferi conferencias ,  ela passou  a  ser   minha  menina  dos  olhos. Meu   sonho   de   consumo  para  a  redenção do  ensino.

Imagino que os chamados burocratas pragmáticos – que infestam o Estado-Gigante do Brasil – proclamarão de imediato que: 1- é escola quase privada, a do SESC, uma instituição dos comerciários, 2- contempla apenas uma exceção. E gravita no campo do sonho, do ideal, do não atingível em um país pobre em educação, pouquíssimo contemplada em recursos por este governo – e também por todos os outros. Sim, tudo isso pode até ser verdade ante uma realidade assustadora, a  do Brasil de  hoje.   Mas o sonho deve ser perseguido.  O que se entende por não-possível    há de ao menos ser esboçado, mesmo  que  sutilmente.

O milagre que nutre a Escola-Modelo de Jacarepaguá se baseia na meritocracia dos alunos. E, sobretudo, na organização estratégica de seu funcionamento, em modelar regime de internato (com professores bem pagos e residentes no campus). Os jovens do ensino médio são recrutados entre os melhores de todo o Brasil, tal como nos meus tempos de Pedro II, Internato. Ou seja, um Colégio para ajudar a formar uma possível  elite intelectual da nação, nos moldes feitos em países que levam a sério a educação .  E a si mesmos.

A Escola-Modelo do Rio – até gostaria de me estender mais sobre ela – é uma realidade capaz  de apontar caminhos para uma futura redenção (vamos ao menos sonhar, que nada custa) do quadro entristecedor do   Ensino-Medio . Que    acabrunha  e   envergonha por   décadas   a fio este país  tão insensato

 Rio, 13  de   abril  de  2018

Ricardo Cravo Albin

Presidente do Instituto Cravo Albin