A tragédia do ensino e sua redenção

A tragédia do ensino e sua redenção

Publicado em 13/06/2016 no Jornal O Dia

Não conheço ninguém que avalie como bom o nosso ensino elementar, médio ou universitário.

E não me refiro somente ao Rio, é claro. As avaliações desalentadas se espraiam por todo o país.

Há dias adentrei uma unidade escolar de ensino médio que me inundou de prazer, que me fez sentir esperançoso de um Brasil quase desarvorado, que levantou a cortina espessa da escuridão que me aflige ao refletir sobre os males devastadores que infelicitam a nação. Meu olhar ante os malfeitos à Educação (os pecados mais capitais dentre todos) cessou, num piscar de olhos, ao cruzar os portões da Escola Modelo do SESC em Jacarepaguá.

Vocês já ouviram falar? Alguém já lhes recomendou uma visita ao que considero um milagre?

Certamente que meus leitores estarão intrigados. Mas que diabo de milagre poderia ocorrer, tão veemente, no Estado que criou os CIEPS, o sonho do esplêndido Darcy Ribeiro hoje desvirtuado?

Pois a Escola SESC – CNC de Ensino Médio implantou na zona oeste do Rio um CIEP dez vezes ampliado e melhorado. Só dez? Muitas e muitas vezes mais completo, mais audacioso, mais contemporâneo que o sonho fumegante do Darcy. Eu, que conheço universidades americanas, não vi, nem em Harvard, um campus tão perfeito e azeitado como esta raríssima Escola Modelo.

Agora imaginem o meu assombro: um complexo para Ensino Médio, abrigando adolescentes carentes. Mas aparelhado com primor, tal como universidades de prestígio mundial.

Lá eu vi o que gravitava apenas em meus sonhos. Ou seja, instalações modelares, salas de aula rigorosamente equipadas, cada aluno com seu laptop, refeitórios e equipamentos esportivos impecáveis.

Ademais, surpresa maior, todos os estudantes lá morando e usufruindo dormitórios semi individuais.  Meu deslumbramento se completou ao saber que os professores também são internos no campus de Jacarepaguá. E com salários dignos, quero crer três vezes maiores que os do ensino médio habitual.

Uma agradabilíssima sensação de bem estar entre alunos e professores sela um pacto que logo se pressupõe existir.  Que de imediato eu senti.

Este milagre, repito a palavra enfática, fica mais aclarado quando testemunho o inverso desta medalha perto de nós: alunos ocupando escolas, insatisfeitos, em greves quase sempre, acolitados por professores também em pé de guerra.

A cidadania carioca tem de que se orgulhar. E esperar, com mãos postas em preces candentes, que os adolescentes do país inteiro possam sorver um dia tais prazeres. E tais benefícios. Ou seja, aqueles que vão construir a nação que queremos.

 

Ricardo Cravo Albin

Presidente do Instituto Cravo Albin